Os Selos Marmorizados do Brasil

FONTE: extraído do Boletim do Rio Grande Filatélico, Ano V, nº. 1, março 1999, págs. 17-18
Antonio Paulo Ribeiro

 

Dentro do colecionismo de selos brasileiros, os selos chamados de "marmorizados" estão, cada dia mais, ganhando novos adeptos. Muitos filatelistas estão tentando completar sua coleção de marmorizados, mas dentre os 148 conhecidos há alguns muito raros e escassos. Outra grande dificuldade é que não se sabe ao certo qual é o número existente de muitos marmorizados catalogados. Fala-se, em alguns casos, de uma folha, mas não se sabe se toda a folha era marmorizada ou só parte dela. Assim as dúvidas entre os colecionadores e até entre os comerciantes são muito grandes e com isto não se tem uma noção precisa da raridade, bem como a grande incerteza de aquilatar o real valor de cada selo.

Para definir o que é papel marmorizado, vamos reproduzir parte de um artigo publicado no Informativo Fontoura Wieth de agosto de 1990 e escrito pelo saudoso jornalista filatélico J. L. de Barros Pimentel: " Não se trata de papel diferente, nem de filigrana curiosa, mas tão somente de defeito de fabricação do papel. Em visita que fizemos recentemente às Indústrias Klabin, na Capital, por deferência especial do diretor da firma, Sr. J. Klabin (veterano numismata) e, acompanhado de um dos engenheiros da firma, tivemos oportunidade de verificar "in loco" a fabricação do referido papel, conhecido como gessado ou couché. O papel ainda em bobina, úmido, recebe em máquina especial o banho de substancia leitosa constituída de caolim e caseína (fixador). Após o banho, a folha de papel sofre o tratamento de uma série de escovas, as quais agindo num vai-vem constante espalham aquela substancia uniformemente. Quando, por acaso, essas escovas deixam de trabalhar alguns instantes, a substancia não é espalhada convenientemente e o papel sai então com aquele aspecto que congnominaram de "marmorizado".

Esse pedaço de bobina com papel marmorizado não tem lugar fixo, pode ser no início, no meio ou no fim da bobina e como a bobina é entregue à Casa da Moeda pelo fabricante, não é possível desenrola-la para verificar onde o papel ficou defeituoso. Tal papel é classificado no fábrica como "refugo". Cumpre a Casa da Moeda, após a emissão de qualquer selo impresso naquele papel, separar as folhas que tenham coincidido na parte defeituosa, incinerá-las e não colocá-las à venda com o restante da emissão, para depois aparecerem no mercado por preços altíssimos.
"

Na verdade é muito difícil para os funcionários dos Correios conseguir identificar uma ou mais folhas que se apresentam marmorizadas dentro de um pacote de folhas. Só o olhar atento de um filatelista seria capaz de separar as folhas que apresentassem a característica de "veios de mármore" que identifica esse papel.

Também o "defeito" pode aparecer em parte ou em toda a folha o que dificulta mais ainda a identificação.

Listamos, abaixo, os selos "marmorizados" catalogados até hoje; são:

COMEMORATIVOS
384Y 385Y 386Y 388Y 392Y 393Y 393AY 394Y
395Y 400Y 400AY 407Y 420Y 422Y 424Y 426Y
429Y 430Y 439Y 450Y 459Y 461Y 462Y 464Y
465Y 466Y 467Y 469Y 470Y 471Y 472Y 483Y
487Y 488Y 489Y 490Y 492Y 493Y 494Y 495Y
496Y 511Y 512Y 514Y 515Y 516Y 517Y 518Y
519Y 520Y 522Y 523Y 524Y 525Y 526Y 527Y
528Y 529Y 530Y 532Y 533Y 534Y 535Y 536Y
537Y 538Y 539Y 540Y 541Y 542Y 544Y 545Y
546Y 547Y 550Y 553Y 554Y 556Y 561Y 565Y
570Y 574Y 575Y 576Y 578Y 581Y 584Y 585Y
587Y 589Y 590Y 592Y 594Y 607Y 640Y 658Y
666Y 673Y 674Y 688/700Y 691Y 698Y 701Y 702Y
703Y 711Y 712Y 713Y 715/16Y 721Y 722Y 727Y
732Y 733Y 746Y 747Y 752Y 754Y 756Y 769/72Y

BLOCOS
13Y 24Y 25Y 31Y

REGULARES
512Y 513Y 514Y 520Y

AÉREOS
79Y 80Y 81Y 82Y 83Y 84Y 85Y
94Y 97Y 105Y 107Y 108Y 109Y 110Y


O total de peças marmorizada é de 148, sendo 126 selos comemorativos, 4 blocos, 4 selos regulares e 14 selos aéreos.

O primeiro marmorizado comemorativo apareceu em 1956 (RHM 384Y) e o último em 1972 (RHM 769/72Y).
 
 
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